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quarta-feira, 12 de setembro de 2012

QUANDO AS LUZES SE APAGAM


A natureza é um organismo vivo que funciona por si só.
Dentro dela, você aprende a respeitar seus limites, senão vai sofrer as consequências que podem ser desastrosas. Você aprende que cada pessoa tem um limite e, às vezes, o mais esperto na cidade pode ser aquele que mais precisa de ajuda na selva... E que alegria poder contar com a ajuda dos outros!

A natureza está ciente da nossa presença? SIM, com certeza. Quando os morcegos voam para o fundo da caverna; quando a água se dissipa ao entrar em contato com a gordura do nosso corpo; quando o pássaro pia, aparentemente alheio, no topo da árvore; quando a estalagmite muda, ainda que milimetricamente a sua formação, só porque foi tocada.

A natureza se importa conosco? Não da forma como gostaríamos. A aranha não vai deixar de lhe picar porque você é “superior” a ela; a caverna não vai deixar de inundar porque você está dormindo lá dentro; o frio da noite será tão implacável com você quanto com qualquer outro ser que com ele interaja. Mas, amamos a natureza porque é ela que nos permitiu estar aqui hoje. Não fossem os bichos da floresta, o homem primitivo não teria se alimentado para procriar e nos dar a chance de construir uma civilização; não fossem as cavernas para abrigar os homens, hoje não teríamos inventado casas para morar; não fossem as águas abundantes dos rios, sequer estaríamos aqui para beber água encanada, que para alguns parece brotar como mágica da torneira (NÃO, o homem não evoluiu a ponto de dispensar os rios!).

A natureza, como dizem os físicos, é uma probabilidade extremamente pequena que deu certo e, só por isso, merece nossa absoluta admiração. Mas, confesso que, no escuro de uma caverna, dá vontade que exista algo ainda maior que, conscientemente, se importe conosco.

Chegamos tão longe, com nossa inteligência para fazer fogo, fabricar lanças de caça e formular estratégias para sobreviver à selva, mas, ainda hoje, temos a necessidade de acreditar em algo mais, quando as luzes se apagam.

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Desabafo!!!


A política paternalista desse país me irrita... sempre me irritou, mas quando vejo seus resultados nefastos novamente, a irritação retorna implacável!

Não me conformo com pessoas que têm filho sem planejamento! Não vou nem falar de casais porque hoje em dia pra ter filho, não precisa estar em um relacionamento, não precisa nem ser adulto, basta atingir a puberdade, né!

Não me conformo de notar que quanto menos dinheiro a pessoa tem pra criar os filhos, mais rebentos ela tem! Não me conformo com pessoas ignorantes que colocam filho no mundo sem pensar e depois ficam correndo atrás de pensão do cara, também ignorante, que não usou camisinha!

Não me conformo com gente que tem filho sem condições de dar uma educação adequada (isso inclui fazer faculdade ou ao menos um curso técnico, porque hoje em dia arrumar emprego bom, sem isso é impossível), sem condições de dar saúde (deixa a criança remelenta brincando no “Córguinho” até pegar uma doença e correr pra fila do SUS) Ahhhh, mas daí vão me dizer: “Não precisa!! O governo cobre tudo isso!” Ahhhh, sim! O governo dá trocentas “BOLSAS” pra pobre ficar colocando filho no mundo e se esbaldar com 200 reais por cabeça pra garantir educação, alimento, moradia, diversão, saúde... e a mãe idiota acha que tá na vantagem!!! “Melhor ficar em casa tendo filho do que trabalhar, o governo me paga pra ter filho!” 

Ninguém enxerga que isso é um ciclo vicioso?? Se você não teve dinheiro pra uma educação boa (infelizmente sabemos que o mais importante, o governo não dá!) e coloca um bando de filho no mundo nas mesmas condições que as suas, vai perpetuar esse ciclo nefasto?? E esse bando de criança não vai servir pra engrandecer a economia do país, porque não terão a educação necessária pra conseguir um trabalho que os faça pagar impostos e ajudar a pagar as “bolsas” de outras pessoas, ou seja, esse valor gasto em “bolsas” não vai retornar NUNCA pra economia do país.... Ahhhh, mas pagar bolsa dos outros??? Isso eles não querem!! Esse povo só quer receber, não quer dar!!! Tem gente que acha que veio ao mundo pra ser sustentado!!! Acontece que pra vagabundo ser sustentado, trabalhador tem que suar de sol a sol!!! Isso é justo???

E não me venha se fazer de vitima, apontando o dedo e dizendo que tenho tendências nazistas ao dizer que pobre não pode ter filho! Só digo que se não tem condições de dar uma vida digna pro filho, que não tenha!!! Ou que tenha apenas um!!!!! É tão dificil assim tomar anticoncepcional ou usar camisinha (que a propósito, o governo tb dá!)??? É uma questão de amor ao próximo! Amor ao filho que você vai deixar de colocar na rua pra pedir esmola ou deixar de colocar no mundo pra passar necessidade e depender da ajuda dos outros!

Ter filhos é um assunto muito sério que exige planejamento!!! Não é simplesmente colocar no mundo pra ver o que acontece!!!

Falta educação básica nesse país, especialmente pra fazer esse povo entender que qualidade é melhor que quantidade!!

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

A PIPOCA

Acho que já postei esse poema no blog antigo, mas vale a pena ler de novo...é de uma sabedoria indescritível.


"Milho de pipoca que não passa pelo fogo continua a ser milho para sempre.
Assim acontece com a gente.
As grandes transformações acontecem quando passamos pelo fogo.
Quem não passa pelo fogo, fica do mesmo jeito a vida inteira.
São pessoas de uma mesmice e uma dureza assombrosa.
Só que elas não percebem e acham que seu jeito de ser é melhor jeito de ser.
Mas, de repente, vem o fogo.
O fogo é quando a vida nos lança numa situação que nunca imaginamos: a dor.
Pode ser fogo de fora: perder um amor, perder um filho, o pai, a mãe, perder o emprego ou ficar pobre.
Pode ser fogo de dentro: pânico, medo, ansiedade, depressão ou sofrimento, cujas causas ignoramos.
Há sempre o recurso de remédio: apagar o fogo!
Sem o fogo o sofrimento diminui. Com isso, a possibilidade da grande transformação também.
Imagino que a pipoca, fechada dentro da panela, lá dentro cada vez mais quente, pensa que sua hora chegou: vai morrer.
Dentro de sua casca dura, fechada em si mesma, ela não pode imaginar um destino diferente para si.
Não pode imaginar a transformação que esta sendo preparada para ela.
A pipoca não imagina aquilo de que ela é capaz. Ai, sem aviso prévio, pelo poder do fogo a grande transformação acontece: BUM!
E ela parece como uma outra coisa completamente diferente, algo que ela mesmo nunca havia sonhado.
Bom, mas ainda temos o piruá, que é o milho de pipoca que se recusa a estourar.
São como aquelas pessoas que, por mais que o fogo esquente, se recusam a mudar.
Elas acham que não pode existir coisa mais maravilhosa do que o jeito delas serem.
A presunção e o medo são a dura casca do milho que não estoura.
No entanto, o destino delas é triste, já que ficarão duras a vida inteira.
Não vão se transformar na flor branca, macia e nutritiva.
Não vão dar alegria para ninguém."
Extraído do livro “O amor que acende a lua” de Rubem Alves

terça-feira, 24 de julho de 2012

Marcelo Gleiser explica partícula de Deus -- parte 1



Recomendo assistirem até o final (as 5 partes) no youtube!
Pessoas inteligentes e dispostas a transmitir sua sabedoria, para a massa ignorante, com tanta paciência são raras...

sábado, 21 de julho de 2012

Simplicidade - Verissimo

Pra relaxar um pouco, depois de tanto assunto PESADO! rsrs




Cada semana, uma novidade.       
A última, foi que pizza previne câncer do esôfago.  
Acho a maior graça.
Tomate previne isso, cebola previne aquilo, chocolate faz bem, chocolate faz mal, um cálice diário de vinho não tem problema, qualquer gole de álcool é nocivo, tome água em abundância, mas, peraí, não exagere…

Diante desta profusão de descobertas, acho mais seguro não mudar de hábitos.
Sei direitinho o que faz bem e o que faz mal prá minha saúde.
Prazer faz muito bem.
Dormir me deixa 0 km.
Ler um bom livro, faz-me sentir novo em folha. 

Viajar me deixa tenso antes de embarcar, mas, depois, rejuvenesço uns cinco anos! Viagens aéreas não me incham as pernas;     
incham-me o cérebro, volto cheio de idéias!
Brigar,me provoca arritmia cardíaca.

Ver pessoas tendo acessos de estupidez, me embrulha o estômago!
Testemunhar gente jogando lata de cerveja pela janela do carro, me faz perder toda a fé no ser humano… 
E telejornais…

Os médicos deveriam proibir… como doem!
Caminhar faz bem, namorar faz bem, dançar faz bem, ficar em silêncio quando uma discussão está pegando fogo faz muito bem: você exercita o autocontrole e ainda acorda no outro dia sem se sentir arrependido de nada.

Acordar de manhã, arrependido do que disse ou do que fez ontem à noite, isso sim, é prejudicial à saúde.
E passar o resto do dia sem coragem para pedir desculpas,pior ainda.
Não pedir perdão pelas nossas mancadas, dá câncer, guardar mágoas, ser pessimista, preconceituoso ou falso moralista, não há tomate ou muzzarela que previna!
Ir ao cinema, conseguir um lugar central nas fileiras do fundo,não ter ninguém atrapalhando sua visão,nenhum celular tocando e o filme ser espetacular, uau!
Cinema é melhor prá saúde do que pipoca.
Conversa é melhor do que piada.
Exercício é melhor do que cirurgia.
Humor é melhor do que rancor.
Amigos são melhores do que gente influente.
Economia é melhor do que dívida.
Pergunta é melhor do que dúvida.
Sonhar é o melhor de tudo e muito melhor do que nada!

PERFEITO!!!

quinta-feira, 12 de julho de 2012

As perguntas que não ousamos fazer!

(inspirado no livro “Variedades da Experiência Cientifica - Uma visão pessoal da busca por Deus” uma compilação de palestras de Carl Sagan)
E se eu provar que mais de metade da população mundial, NOS DIAS DE HOJE, ainda acredita que a Terra é o centro do Universo?? Como? Ora, sabemos que o Universo é gigantesco (pra usar uma expressão que chega a ser eufemista), sabemos da enorme probabilidade de existir mais vida inteligente no Universo, além da nossa (na maioria dos casos RS). Então, o que nos leva a crer que somos TÃO especiais a ponto do único filho do Deus Criador Todo-Poderoso ser mandado para nos salvar e somente a nós??
O geocentrismo continua enraizado na nossa mente, tão forte quanto no tempo de Copérnico. O problema é que a humanidade sofre de uma cegueira tão forte que não consegue enxergá-lo.
Thomas Paine em seu livro “A era da razão” diz “De onde, então, pôde surgir o estranho conceito de que o Todo-Poderoso, que tinha milhões de mundos igualmente dependentes de sua proteção, deveria parar de cuidar de todo o resto e vir morrer em nosso mundo porque, como dizem, um homem e uma mulher comeram uma maçã? E, por outro lado, devemos acreditar que todos os mundos na criação infinita tiveram uma Eva, uma maçã, uma serpente e um redentor?”
Carl Sagan diz que esse é um deus de um mundinho pequeno, um problema que os teólogos não trataram de maneira adequada. (não usaram as metáforas apropriadas? RS)
Aqueles que inicialmente nos imaginavam no centro do sistema solar, com a explosão intelectual do heliocentrismo, começaram a imaginar se pelo menos o centro da galáxia nos estava reservado... com a evolução da ciência, descobriu-se que não, então começaram a se perguntar se ao menos o centro do Universo pudesse ser nosso... mas, o centro do Universo não existe. Todos que desejaram um sentido cósmico central para nós ficaram cada vez mais decepcionados. (talvez a humildade que as religiões, tão convenientemente pregam, deveria ser utilizada também na sua ideia central – do Todo-Poderoso focado somente na Terra – o problema é que, na época em que as Escrituras foram feitas, não existia tanto conhecimento, então a doutrina não poderia ser tão abrangente, justamente porque criada por homens limitados)
Sagan, com seu brilhantismo, nos lança algumas questões a esse respeito:
Por que, afinal, é necessário que Deus intervenha na história da humanidade, nos assuntos humanos, como presumem quase todas as religiões? Que Deus ou deuses desçam à Terra e digam aos seres humanos: “Não, não faça isso. Faça aquilo, não se esqueça disso, não reze desse jeito, não idolatre ninguém mais, mutile seus filhos assim, assim”.
Porque existe uma lista tão longa de coisas que Deus pede às pessoas que façam?Porque Deus não fez do jeito certo de uma vez? Ele criou o Universo, então pode fazer qualquer coisa... A intervenção de Deus nos assuntos humanos revela incompetência, diz Sagan.
E é perfeitamente possível imaginar que Deus, não um deus onipotente ou onisciente, só um deus razoavelmente competente, poderia ter criado provas absolutamente indubitáveis de sua existência.
Imaginem que exista um conjunto de livros sagrados em todas as culturas, em que haja algumas frases enigmáticas que Deus ou os deuses tenham pedido aos nossos ancestrais para transmitir sem modificações para o futuro. Seriam frases que hoje reconheceríamos, mas que não pudessem ser reconhecidas naquele tempo. “Não se esqueçam, o Sol é uma estrela”... nossos ancestrais diriam “Hein???” Mas repassariam a informação nas Escrituras, porque foi Deus que mandou... ou que tal “Não viajarás mais rápido que a luz”?
Em outras palavras, porque Deus seria tão claro na Bíblia e tão obscuro no mundo? (por favor, tenham um pouco de vergonha e não usem o argumento de que Deus testa nossa fé se escondendo... quer dizer que a fé de quem escreveu as Escrituras não precisava ser testada e Ele podia aparecer numa boa, naquela época?)
Não há dúvida de que a religião tem tido o papel histórico de fazer com que as pessoas se contentem com o que possuem. Até hoje costuma-se argumentar que a veracidade ou a falsidade da doutrina religiosa importa menos do que o grau de estabilidade social que ela proporciona.
Não é muito difícil perceber que uma doutrina como essa seria bastante atraente para as classes dominantes de uma sociedade. (não tenho dúvidas de que é por isso que a religião ainda é tão incentivada e difundida – fora o fato de que as pessoas não estão acostumadas a fazer perguntas...)
Muitas religiões estabelecem um conjunto de preceitos – coisas que a pessoa tem que fazer – e afirmam que essas instruções foram dadas por um deus ou por deuses. O primeiro código legal, de Hamurabi, da Babilônia, por exemplo, em 2.000 a.c. foi entregue a ele pelo deus Merodaque, ou pelo menos foi o que ele disse...(eu toquei numa pedra escrita por deus e não sabia!!!!!!!!) Se Hamurabi tivesse simplesmente dito “Aqui está o que acho que todo mundo tem que fazer”, ele teria tido muito menos sucesso, mesmo sendo rei da Babilônia, do que dizendo: “Deus diz que vocês devem fazer isso”.
Não é provável que, em tempos mais primitivos, em circunstâncias menos sofisticadas, quem quisesse impor determinado conjunto de princípios de comportamento alegasse que eles lhes tinham sido entregues por deus, ou por deuses?

Sagan termina perguntando se em uma projeção de vinte, cinquenta ou cem anos no futuro, possa haver um mundo em que tenhamos recobrado a razão, em que tenhamos entendido as coisas. Ele diz que podemos fazer isso.
Já existiu, por exemplo, uma doutrina sobre o direito divino dos reis. Segundo ela, Deus dava aos reis e rainhas o direito de mandar em seu povo. E naquela época, mandar queria mesmo dizer mandar!
Mas mesmo assim, aconteceu uma série de revoluções no mundo inteiro (revoluções intelectuais) – a americana, a francesa, a russa – que deram origem a um planeta em que ninguém, excetuando um ou outro imperador atavista ocasional de algum paisinho incipiente, ninguém acredita no direito divino dos reis. Hoje é meio que uma vergonha. Uma coisa em que nossos ancestrais acreditaram, mas que nós, nestes tempos mais esclarecidos, não acreditamos.
Ou pensem na escravidão, que Aristóteles defendeu como a ordem natural das coisas, que os deuses a exigiam, que qualquer movimento para libertar os escravos ia contra o desígnio divino. E os proprietários de escravos, ao longo da história, usaram trechos da bíblia para justificar essa propriedade (como já falei antes, trechos bons ou convenientes existem em qualquer livro...) E hoje, em mais uma sequencia de acontecimentos no mundo inteiro, a escravidão legal foi praticamente eliminada. E outra vez é uma coisa do nosso passado do qual nos envergonhamos...
Ou mesmo coisas como a varíola e outras doenças desfigurantes e fatais, doenças infantis, que um dia foram vistas como uma parte inevitável da vida, determinadas por Deus (era a Sua vontade). O clero alegava, e parte dele ainda alega, que essas doenças foram enviadas por Deus como uma punição para a humanidade (que dizer dos cristãos que recentemente declararam que a Aids era uma punição de Deus para os homossexuais?). Com algumas dezenas de milhões de dólares e o esforço de médicos de cem países, coordenados pela OMS, a varíola foi eliminada da face do planeta Terra (e nem precisou da ajuda da mão divina... ou será que Deus ficou bravo por termos, na nossa insignificância, eliminado uma poderosa arma Sua de punição? Será que Deus não quer que achemos a cura para a Aids?)
Carl Sagan diz que precisamos ter a determinação corajosa de encarar o Universo como ele é de verdade, não impondo a ele nossas predisposições emocionais (necessidade de um pai que nos proteja constantemente – a raiz psicológica disso não deveria ser óbvia???), mas aceitando com coragem o que nossa exploração revelar.

GRAAAAAAAAAAANDE CARL SAGAN!!!!!!!!!!!!
Eu sei que você era contra qualquer tipo de idolatria (porque idolatrar alguém, significa acomodar-se em ser inferior ao objeto de idolatria e isso é inaceitável para uma mente brilhante), MAS CARL, EU ADOROOO VOCÊ!!!!!! Rsrsrsrsrs
E espero, sinceramente, mesmo sem acreditar num Deus Todo-Poderoso e Criador, que você esteja me ouvindo nesse instante de algum lugar... Porque, te parafraseando, uma só vida pra você, seria um desperdício de genialidade!!!!!!
Euzinha e o divino Código de Hamurabi (Louvre, Paris)

segunda-feira, 9 de julho de 2012

A ciência e suas peculiaridades


Nossaaaa, quase enlouqueci nesse feriado!! Fiquei estudando física, química e matemática! Bom, na verdade estudei indiretamente...rs Estou terminando “Criação Imperfeita” do Marcelo Gleiser e amandooO!!!
Se queremos falar da origem da vida (ou qualquer assunto), precisamos saber do que estamos falando... por isso eu leio e aprendi MUITO sobre a cosmologia (não só moderna, como antiga) nesse livro!
Ele traz um resumo bastante acessível, da história das maiores descobertas físicas realizadas pelo homem, na busca por sua origem.
Marcelo Gleiser confronta a ideia moderna de muitos cientistas que buscam por uma Teoria Final (uma unificação de tudo que existe em um denominador comum, segundo ele, o equivalente ao criacionismo dos religiosos, mas para a ciência) que ele também já buscou, mas hoje não acredita mais. Ele diz que somos como um peixe que vive aprisionado num aquário; mesmo que o nosso aquário cresça sempre (pois é isso que ocorre com o corpo do conhecimento humano), tal como o peixe, nunca poderemos sair dele e explorar a totalidade do que existe. Haverá sempre um “lado de fora”, além do que podemos explorar. E precisamos humildemente reconhecer que, quanto mais respostas encontrarmos, mais perguntas surgirão. O que não invalida de forma alguma a busca pela “verdade final”.
Uma curiosidade SUPER interessante do livro é a história de Kepler e o seu mysterium cosmographicum (a figura da foto que, naquela época, descrevia perfeitamente como Deus teria criado o Universo)

Kepler era geométrico e, como todos os profissionais das diversas áreas, achou que a sua área poderia explicar perfeitamente a “mecânica” do Universo. Assim, separou os 5 sólidos perfeitos que conhecia (nenhum outro sólido tridimensional fechado pode ser construído a partir de apenas um objeto bidimensional – triângulos, quadrados e pentágonos. Os dois mais familiares são o cubo (feito de seis quadrados) e a pirâmide (feita de quatro triângulos equiláteros). Os outros três são o octaedro (oito triângulos equiláteros), o dodecaedro (doze pentágonos) e o icosaedro (vinte triângulos equiláteros).
Kepler imaginou que os cinco sólidos deveriam se encaixar um dentro do outro, como num quebra cabeça. Entre cada dois sólidos, uma esfera imaginária localizava a órbita planetária (na época se conheciam somente 6 planetas do nosso sistema). A incrível coincidência é que, para a época, a montagem dos sólidos, intercalando com os planetas, era perfeita, pois se existiam apenas 5 sólidos perfeitos e 6 planetas, sua dinâmica no modelo de Kepler daria certo para que não sobrasse nenhum fora da estrutura)
Kepler experimentou alguns arranjos para os cinco sólidos e encontrou um que coincidia com uma precisão surpreendente, com as distâncias entre os planetas medidas pelos astrônomos.
Com essa sacada genial, Kepler “resolveu” o maior mistério da astronomia, explicando a priori não só porque existiam apenas 6 planetas, mas também as suas distâncias em relação ao sol.
Apenas um cosmo desenhado por um Deus geômetra respeitaria as mais perfeitas proporções. Em sua estrutura simétrica, revelava a beleza divina da Criação.
Como que alguém tão errado poderia estar tão convicto de estar certo? Temos muito o que aprender com o erro de Kepler. A partir da nossa perspectiva moderna, é fácil ridicularizar a sua criação, chamá-la de delirante. Afinal, são oito planetas no sistema solar (Plutão foi rebaixado) e não seis. Se Kepler pudesse vê-los todos a olho nu, não haveria proposto o seu modelo e sua carreira teria tomado outro rumo. Sua visão limitada da realidade foi a sua bênção.
O que ocorreu com Kepler continua a ocorrer nos dias de hoje: construímos nossa visão de mundo com os dados que temos no momento. (E o mais incrível, é que as vezes parece se sustentar cientificamente)
Para ele, a ordem que vislumbrou era bela demais para não ser verdadeira. Marcelo afirma que, visto que jamais seremos capazes de medir tudo que existe, seu erro foi ter acreditado que é possível construir uma Teoria Final. Sempre haverá algo que nos escapará, algo além do alcance de nossos instrumentos. Nessa escuridão perene que nos cerca, podem ocultar-se grandes revelações, potencialmente capazes de reformular nossa visão de mundo.

É nesse espírito que Marcelo escreveu seu brilhante livro... sem profetizar um Deus criador (todos que estudam deixam de acreditar nisso, eventualmente), mas imbuído de um sentimentalismo que o faz crer que a ciência não tem todas as respostas... e, assim, quem garante que não existe o sobrenatural?

No meu modesto livrinho “Levei um Fora e Agora?”, já deixei o exemplo da “mão em terceira dimensão” (se quiser saber, leia! RS) que indica que nunca seremos capazes de decifrar todos os mistérios do Universo, pois sempre estaremos limitados por nossas condições físicas e cerebrais que ditam até onde podemos chegar...
RACIONAL, sem deixar de ser emocional!!!