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segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Terrorismo religioso


O terrorismo motivado pela religião tornou-se um problema global. O terrorismo religioso (…) cresceu de modo a desafiar a estabilidade política nacional e internacional durante os anos 90 e no começo dos anos 2000. A frequência dos ataques sectários e as suas vítimas cresceram rapidamente durante este período. (…) A violência religiosa continuará a ser um aspecto central do terrorismo do século XXI. Os terroristas religiosos tornaram-se também adeptos do recrutamento de novos elementos, organizando-se em células semi-autónomas através de fronteiras nacionais, (…) e atacando consistentemente alvos que simbolizam os interesses inimigos. (…) Contrariamente às acções relativamente cirúrgicas dos esquerdistas seculares dos anos anteriores, os terroristas religiosos provaram ser particularmente mortíferos (...) Esta espécie de letalidade tornou-se um elemento central do terrorismo religioso internacional.
Gus Martin (California State University), Understanding Terrorism , 2003, p. 389.

De fato, paralelamente aos veementes apelos à paz e à fraternidade e à superação moral do Homem, a origem da violência religiosa (pelo menos simbólica) reside nas próprias raízes da super-estrutura religiosa e do seu imaginário, particularmente nas imagens de morte que estão no cerne das religiões (Juergensmeyer). Assim, a violência existente em muitos textos religiosos é indesmentível e mesmo a história de algumas religiões está semeada de episódios violentos, desde o seu início, incluindo “mandatos divinos de destruição” (M.J.).

Desde logo, importa recordar as teorias clássicas de:

- Émile Durkheim (Formes élémentaires de la vie religieuse, 1912), a separação entre o sagrado e profano.
- Rudolf Otto (O Sagrado, 1917), o “numinoso”, o “totalmente outro”, a ambivalência do sagrado, “tremendo e fascinante”.
- Freud: pulsão de vida e pulsão de morte; eros e tanathos.
- Mary Douglas (Purity and Danger, 1966), o puro e o impuro, poluição e “tabu”; anomalias e abominações.

E as teorias mais recentes de:

- René Girard (La Violence et le Sacré, 1972), da “violência (recíproca indiferenciada) mimética” ao “mecanismo (purificador e pacificador) da vítima expiatória ou emissária” (“que está na origem da sociedade, da cultura e da religião”); a morte sacralisadora (“por ser morta, é que a vítima é sagrada”); o rito religioso como comemoração simbólica dessa violência fundadora, “visando acalmar a violência e impedi-la de se desencadear”; o sacrifício e os ritos sacrificiais; a violência sacrificial; sangue e ritos sangrentos; bodas e realeza sagradas: a morte do Rei (“o rei é sagrado porque vai ser morto”) - Ver também o artigo de Alfredo Teixeira “Violência e Cultura” in Religião e Violência, Peter Stilwell e outros, Universidade Católica Portuguesa, 2002.
- Maurice Bloch (Prey into hunter, 1992/La Violence du Religieux, 1997), “núcleo do processo ritual”, a “estrutura mínima fundamental dos rituais” (“quase-universal”), em três fases: 1ª. violência) “a dicotomização interior ao participante”; 2ª. violência) “é dada ao iniciado a parte transcendente da sua identidade a qual passa a dominar ao longo da sua vida”; 3ª. violência) a “violência de retorno” (que está na origem da violência religiosa), isto é, “o consumo agressivo de uma vitalidade adquirida, que é diferente daquela que foi perdida à partida”; iniciação: da morte para a vida: “inversão do processo natural”.
2) Religiões históricas e violência nas três religiões do Livro (Judaísmo, Cristianismo e Islamismo) o Hinduísmo, etc. (cf. dir. Anand Nayak, Religions et violences, 2000).

- A violência pode nascer em “religiões duras” – opostas às religiões “doces”, em que existe um harmoniosa articulação entre as esferas divina, humana e natural - ou nas facetas “duras” das religiões, a saber, naquelas em que a submissão à autoridade divina é mais forte, conduzindo à repressão, ao proselitismo e à segregação (estabelecendo a distinção entre “eleitos” e “malditos”). As formas religiosas que têm um Deus transcendente parecem conduzir mais à violência do que aquelas que apresentam um Deus imanente.

- “A doutrina religiosa pode estar na origem de violência, pois ao ser uma origem de salvação, ela dispensa verdades, que pela sua natureza se apresentam como absolutas e universais, às quais se acrescentam leis e obrigações que regulam a prática religiosa. Por vezes, se a doutrina pode conduzir à paz e ao amor, a prática pode conduzir à discriminação e à violência, tal como a institucionalização da religiões e as relações de poder a ela associadas.

- “A relação do poder com a religião pode dar origem à violência, até porque os símbolos religiosos, se podem conduzir à paz e à harmonia, são também extremamente poderosos no suscita do ódio e da violência – o poder dos símbolos (religiosos).

Textos religiosos (das “grandes religiões”)

- Judaísmo: a Tora (o Antigo Testamento):
Vida por vida, olho por olho, dente por dente, mão por mão, pé por pé (Deut. 19, 21), Mas as vidas destes povos que o Senhor te dá como herança são as únicas onde tu não deixarás subsistir nenhum ser vivo (Deut., 20, 15-18),

- Cristianismo: o Antigo Testamento e, também, o Novo Testamento, pe., Cristo não traz a paz, mas o fogo e a espada (Lucas, 12, 49), a expulsão violeta dos vendilhões do Templo (Marcos, 11, 15-17). Acrescento a Batalha de Jericó em que Josué grita ao povo: “O senhor vos tem dado a cidade...Toda a prata, o ouro e os vasos de metal e de ferro são consagrados ao senhor. E tudo quanto havia na cidade destruíram totalmente ao fio da espada, desde o homem até a mulher”. (Ainda se esse episódio ficasse esquecido no meio de tantos outros que os próprios cristãos se envergonham da bíblia, mas a verdade é que essa conquista de Jericó é exaltada e cantada em todas as escolas dominicais batistas, para crianças aprenderem desde cedo a GUERREAR pelo senhor...)

- Islamismo: o Corão, a “jihad”, Combatei no caminho de Deus os que lutam contra vós …Deu não ama os transgressores. Matai-os sempre que os encontreis… Se eles vos combaterem, matai-os: tal é a retribuição dos incrédulos (II, 190-191), malditos (os hipócritas) onde quer que se encontrem, eles serão capturados e mortos segundo o costume de Deus…(XXIII, 60-62).

- Hinduísmo: os sacrifícios védicos e as guerras do Mahabarhata.

- Fundamentalismo: é reativo à modernidade e utiliza seletivamente os textos religiosos – que considera terem uma origem divina e, logo, inquestionáveis – que sejam apropriados ao combate contra a modernidade. Além disso, os grupos fundamentalistas definem o mundo de uma maneira dicotómica ou “maniqueísta”: as coisas e as pessoas, são boas ou más, verdadeiras ou falsas, luminosas e obscuras, puras ou impuras, fiéis ou infiéis, etc., etc. Os fundamentalistas definem-se a si próprios como participantes numa luta sem compromisso para defender os primeiros contra os segundos.

Para os terroristas religiosos, eles estão participando numa “guerra cósmica” (M.J.), um confronto escatológico entre as forças do Bem e do Mal que exige o martírio e o sacrifício dos seus atores. A religião é um meio privilegiado como agente de honra – que vinga a dignidade (religiosa, política, social, nacional, económca, etc.) e afirma a identidade, passando simbolicamente da humilhação à afirmação identitária absoluta, sagrada (cf. o “eu sagrado chamânico” de Jacob Pandian, Culture, religion and the sacred self, 1991) - e também de legitimação da resistência, da luta, da guerra – que é tremenda e fascinante.

O fundamentalismo é (não apenas, mas também, dizemos nós) um produto da frustração (com a falta de perspectivas), da humilhação e das condições retrógradas e existem muitas forças sociais e políticas no mundo islâmico determinadas a fazer progressos no sentido de reduzir ou talvez mesmo erradicar o fundamentalismo.

Bibliografia
- James e Brenda Lutz, in Global Terrorism, Routldge, London, 2004
- Leonard Weinberg, Ami Pedazuhr eds., Religious Fundamentalism and Political Extremism, Frank Cass, London, 2004
- Dawn Perlmutter, Investigating Religious Terrorism and Ritualistic Crimes, 2004, - - - - Bruce Lincoln, Holy terrors, 2003
- Jessica Stern, Terror in the name of god, 2003
- Jean Baudrillard, The spirit of terrorism, 2002
- Mark Juergensmeyer, Terror in the mind of God, 2000
- Hélder Santos Costa, O Martírio no Islão, 2003,
- Bernard Lewis, The crisis of Islam: holy war and unholy terror, 2003,
- John Esposito, Unholy War: terror in the name of Islam, 2002,
- Olivier Roy, L’Islam mondalisé, 2002,
- Yonah Alexander, Michael Swetnam, Usama bin Laden’s al-Qaida, 2001,
- Ahmed Rashid, Os Taliban, 2001,
- Gilles Kepel, Jihad, expansion et déclin de l’islamisme, 2000,
- Bernard Lewis, The Assassins,1967
- Ehud Sprinzak, Brother against brother, 1999,
- Aviezer Ravitzky, Messianism, Zionism and Religious Radicalism, 1993
- Jeffrey Kaplan, Radical Religion in America, 1997,
- Michael Barkun, Religion and the Racist Right, 1997
- Thomas Robbins e Philip Lucas eds., New Religious Movements in the 21st Century, 2004,
- David Bromley and J. Gordon Melton, Cults, Religion and Violence, 2002,
- Catherine Wessinger, How the Millenium comes violently, 2000,
- John Hall, Apocalypse Observed, 2000,
- Catherine Wessinger, Millenium, Persecution and Violence, 2000,
- Thomas Robins e Susan Palmer, Millenium, Messiahs and Mayhem, 1997
- Gilles Kepel La revanche de Dieu, 1991
- Gus Martin, Understanding Terrorism , 2003
- Mark Juergensmeyer ed. Violence and the Sacred in the modern world, 1992
- dir. Anand Nayak, Religions et violences, 2000

Texto retirado do blog http://www.joseanes.com/

“Como cada nova geração de crianças aprende que as proposições religiosas não precisam ser justificadas, como todas as outras precisam, ainda está sitiada pelo exército dos irracionais. Estamos agora mesmo nos matando, por causa de literatura da Antiguidade. Quem imaginaria que uma coisa tão tragicamente absurda seria possível?” DEUS- Um delírio - Richard Dawkins

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

ANO NOVO, YOGA DE NOVO!!


Feliz ano novo, galera!  Dessa vez não teve mensagem de fim de ano e de começo de ano já vem atrasada...rs Então, vamos ao que interessa: o primeiro post de 2014!!

Nos últimos dias li pela primeira vez o meu livro querido: “Como Vencer o Transtorno do Pânico” impresso!!! Sim, virando página por página, sentindo aquele cheiro delicioso de papel impresso... ahh, fanáticos por leitura vão me entender!! E sabendo que é meu bebê fica melhor ainda!!! Só sei que me emocionei de novo, ri de novo, chorei de novo, como se fosse a primeira vez que estivesse lendo aquilo ou mesmo se não tivesse sido eu que escrevi!!!  São os deleites de quem ama ler e escrever...rs

Bom, fiquei com vontade de compartilhar aqui no blog um trecho do capítulo sobre YOGA... acreditem, eu quase copiei do livro impresso até que lembrei que tenho tudo em arquivo no computador (kkkkkkk), então aqui vai:

“Eu já disse que as dificuldades são piores, dependendo de como reagimos a elas. Grande parte desse pensamento me foi ensinado nas aulas de yoga.
Yoga serve como um harmonizador entre corpo e mente. Para quem olha de fora, parecem apenas exercícios de alongamento, mas isso é o benefício mais simples que o yoga fornece.
A palavra sânscrita yoga tem diversos significados e deriva da raiz yuj, que significa "controlar", "unir". Algumas das traduções indicam "união", "conjunção". Fora da Índia, a prática de yoga mais conhecida é o Hatha Yoga, através de seus asanas (se pronuncia “ássanas” e são as posturas praticadas na aula) e encarada como uma forma de exercício e relaxamento.
O Yoga enxerga o ser humano como uma consciência dentro de um veículo físico (o corpo). Esse corpo pode sofrer influências negativas e positivas, vindo tanto da mente do próprio indivíduo quanto de fatores externos. Seu objetivo é integrar o corpo e o pensamento (ou essa consciência) de maneira a alcançarmos o samádhi ou a iluminação da consciência.
O Hatha Yoga, linha que pratico, busca através de asanas, pranayamas (formas de respiração), meditação e toda uma ética, a purificação física e psíquica, para que a divindade interior possa brilhar em toda a sua magnitude.
Destaco a importância de encontrar um professor de yoga que tenha a plena consciência de sua capacidade de transmitir os benefícios da prática, não somente através dos asanas, mas da meditação que acompanha as aulas, das conversas, das idéias lançadas aos alunos e de todo o ambiente criado em torno da prática. Posso dizer que tive a sorte de encontrar professores com essa consciência.
Diferente do que muita gente pensa, não é necessário ser budista, esotérico ou acreditar em nada exótico para praticar Yoga e receber seus benefícios, basta apenas praticá-lo regularmente.

Sempre que estou em alguma posição difícil (nesse caso, quero dizer posição física- literalmente contorcida no colchonete em algum asana esquisito), sentindo todos os tendões sendo alongados, com cara de dor e querendo desistir, o professor passa ao meu lado com aquele ar sereno e diz: “A dor é um fato. O sofrimento é opcional. Avalie a sua mente neste momento. O que você quer fazer?”.
Então eu relaxo o semblante, agüento firme e termino o asana tranquilamente, pensando que venci a vontade de desistir.
Durante as aulas, o professor pode lançar idéias que, se soubermos aproveitar, se transformam em verdadeiros conceitos de vida.
Parece uma situação boba e pequena, mas os reflexos desses pensamentos e a autoconfiança que vamos adquirindo servem para qualquer ocasião, de qualquer tamanho e intensidade.
Já ouvi várias pessoas dizendo que yoga é parado demais, chato demais. Quem pensa assim, deveria experimentar uma única aula.

Meu marido costuma se exercitar na academia, levantando peso. Certo dia resolveu participar de uma aula de yoga comigo, porque precisava “relaxar”. Sua atitude, no início, chegava a ser displicente. Pude notar certo descaso em relação à prática à qual me dedico tanto. Ri muito quando, no final da aula, ele reclamou de dor em quase todos os tendões que foram alongados e não conseguia andar direito devido à tonificação de músculos que ele nem sabia que tinha.
Claro que o yoga não deve deixar dores. Por isso o relaxamento induzido, após a prática, evitando que sensações desagradáveis permaneçam. Mas, como era a primeira aula dele, como seu corpo não estava acostumado a se alongar e certamente sua dedicação ao correto posicionamento nos asanas não foi das melhores, ele sentiu os reflexos. Pessoalmente, posso dizer que fiquei feliz com os reflexos, pois confirmaram o que eu sempre dizia: “yoga não é para molengas!!”.

A primeira indicação de tratamento auxiliar para crises de ansiedade é o yoga.
No yoga aprendi a observar meu comportamento, meus pensamentos, sem me identificar com eles. Meu corpo pode estar sentindo dor, mas eu não preciso sofrer por causa disso. Meu corpo pode estar com batimento cardíaco acelerado, mas eu não preciso me desesperar por causa disso. Como o professor sempre diz, é só um corpo. Um corpo que deve ser respeitado e bem tratado, mas no final das contas é só um corpo, cujas reações não devem ser supervalorizadas.
A ansiedade é uma emoção voltada para o futuro. Seu corpo está presente, mas sua mente está voltada para o futuro, esperando que algo de ruim aconteça.
Quando estamos ansiosos, vemos claramente a divisão entre o corpo e a mente, cujo objetivo do yoga é unificar. Parte de nós está presente (o corpo) e parte está se projetando para frente (a mente), em um cenário construído mentalmente cheio de incertezas e toda sorte de perigos.
Toda pessoa que apresenta algum transtorno ansioso vive esta divisão, com forte projeção mental no futuro, mesmo que um futuro próximo, criando na mente cenários que trazem sofrimento intenso e constante, por antecipação: “vou passar mal”, “vou ter aquilo de novo”, “vou morrer”, “vai dar errado”, etc.
Quando conseguimos canalizar nossa atenção unicamente ao momento presente, a ansiedade tende a diminuir drasticamente, ou mesmo se dissipar. Quando a mente retorna para as pré-ocupações com o futuro, a ansiedade reaparece.
Um primeiro modo de se fazer presente é se observar, se perceber, mesmo estando mentalmente preocupado com o futuro.
Feche os olhos e observe seus pensamentos. Dedique alguns minutos a isto.

Esse ensinamento está muito claro no livro de Eckart Tolle, “O Poder do Agora”16.
Eckart ensina que nada existe além do Agora. “Você alguma vez vivenciou, realizou, pensou ou sentiu alguma coisa fora do Agora? Acha que conseguirá algum dia? É possível alguma coisa acontecer ou ser, fora do Agora? A resposta é óbvia, não é mesmo? Nada jamais aconteceu no passado, aconteceu no Agora. Nada jamais irá acontecer no futuro, acontecerá no Agora. O que consideramos como passado é um traço da memória, armazenado na mente, de um Agora anterior. Quando lembramos do passado, reativamos um traço da memória e fazemos isso agora. O futuro é um Agora imaginado, uma projeção da mente. Quando o futuro acontece, acontece como sendo o Agora”.

Não podemos deixar que a mente nos use e nos faça crer que somos a mente. Somos algo muito acima da mente. Por isso, podemos observá-la, sem nos identificar.
Os pensamentos no estado ansioso geralmente seguem padrões repetitivos, manifestando preocupações – “estou passando mal”, “devo ter uma doença séria”, “aquilo vai acontecer de novo”, “e se der errado” etc. – criando cenários catastróficos, levando você a se sentir cada vez mais ansioso. Estes pensamentos negativos automáticos são responsáveis pela ansiedade presente, por toda a angústia que vivemos.
No yoga aprendemos a desenvolver o “eu que observa”. Em todos os asanas, somos incitados a observar nossos pensamentos e a maneira como encaramos a dor, a falta de equilíbrio (físico, no caso do asana, mas nossa postura certamente se reflete no desequilíbrio emocional e mental). Assumimos uma atitude de espectador e de não identificação com os pensamentos. Simplesmente observando nossos pensamentos, começamos a aprender sobre nós mesmos e sobre nosso funcionamento mental. Percebemos como existem pensamentos automáticos que dominam a mente e levam a um estado ansioso.
Como a pergunta do meu professor: “Qual sua vontade agora?”, infelizmente desistir e fugir são pensamentos automáticos que aparecem à maioria das pessoas. Mas, desistir no momento de uma crise de pânico significa se render aos sintomas horríveis e deixar que eles dominem seu corpo e sua vida. Hoje, para mim, isso não é uma opção aceitável.
No momento da prática, você não precisa se preocupar em frear ou mudar os pensamentos. Tudo que precisa fazer é reconhecer como sua mente funciona e quais os pensamentos automáticos que surgem, causando a ansiedade. A meta, durante a prática, é de reconhecimento e aceitação, não de controle.
Você vai começar a perceber que o perigo não está presente, mas é cultivado através destes pensamentos negativos voltados para o futuro.
Quando você deixa de ser o “eu que pensa” e passa a ser o “eu que observa”, você começa a enfraquecer estes pensamentos automáticos, reconhecendo que eles são apenas pensamentos e não são você.
Um exercício para treinar o “eu observador” que aprendi no yoga é tentar assistir um filme de terror dando risada e um filme de comédia ficando extremamente sério. Assim, ensinamos ao nosso cérebro que, não importa o que está acontecendo ao nosso redor, não precisamos nos identificar com nada, apenas observar e, assim, controlar nossa reação frente a qualquer coisa.” Extraído do livro: “Como Vencer o Transtorno do Pânico” de Vanessa Fagundes, disponível em Como Vencer o Transtorno do Pânico

domingo, 15 de setembro de 2013

ROCK AND ROLL


É claro que em semana de Rock in Rio eu não poderia deixar de falar sobre esse estilo musical que tanto prezo!

É certo que Rock in Rio está mais para “Axé in Rio ou dance in Rio”, MAS, deixando isso de lado, quero homenagear todos os rockeiros que aqui me acompanham e que amam tanto quanto eu a liberdade de pensamento que o rock traz para a sociedade!

Desde os rebolados de Elvis instigando desejos hipocritamente reprimidos ou de inocentes “Love, Love me do” até declarações de amor e ódio incondicional “eu costumava amá-la, mas eu tive que matá-la”, o rock vem incitando a sociedade a olhar adiante, a pensar diferente, sem amarras pseudo-intelectuais, sem pudor desnecessário, sem fingimento social, só liberdade consciente e atitude convicta! A convicção de pessoas que preferem ser chamadas de esquisitas, rebeldes e até “demoníacas”, ao invés de submeter-se a padrões que não lhes convencem.

Um estilo musical que vai além dos instrumentos, pois tocar guitarra muitos conseguem, mas dizer o que a maioria não está preparada para ouvir e gritar irreverente aos quatro cantos:  “eu não consigo parar de te amar” só o verdadeiro rock and roll faz!!

D´you know what I mean??

VIVA O ROCK N ROLL GALERA!!!!!!


Eu vivo minha vida na cidade
Não é fácil sair
O dia passa muito rápido para mim
Eu preciso de algum tempo no brilho do sol
Eu tenho que fazê-la ir mais devagar
O dia passa muito rápido para mim

Eu vivo minha vida para as estrelas que brilham
Pessoas dizem que é apenas perda de tempo
Quando elas dizem que eu devia sustentar minha mente
Isso para mim é apenas um dia na cama
Eu pegarei meu carro e vou dirigir muito rápido
Você não dá importância para o que nós somos
Na minha mente meus sonhos são reais
Agora você se importa com o que eu sinto

Essa noite eu sou uma estrela do rock
Essa noite eu sou uma estrela do rock

...
Eu vivo minha vida para as estrelas que brilham
Pessoas dizem que é apenas perda de tempo
Quando elas dizem que eu devia sustentar minha mente
Isso para mim é apenas um dia na cama
Eu pegarei meu carro e vou dirigir muito rápido
Você não dá importância para o que nós somos
Na minha mente meus sonhos são reais
Agora você se importa com o que eu sinto

essa noite eu sou uma estrela do rock
essa noite eu sou uma estrela do rock
essa noite eu sou uma estrela do rock

Você não entende quem eu sou
Olhe para você agora, você está inteiro nas minhas mãos

Essa noite,eu sou uma estrela do rock
Essa noite,eu sou uma estrela do rock
essa noite eu sou uma estrela do rock

è apenas rock e roll
è apenas rock e roll
è apenas rock e roll

(Rock and Roll Star – OASIS)

sábado, 7 de setembro de 2013

Christian Gray

Para quem ainda não sabe, esse será o famoso machista espancador (digo, sádico) de 50 tons de cinza no cinema... Falo com essa displicência porque o livro (ou melhor, toda a trilogia) não passa disso- sexo sadomasoquista, sem história, sem nada mais... se o filme seguir no mesmo caminho será um "pornô autorizado para menores", já que provavelmente tentará abocanhar as órfãs de Crepúsculo...

Ahh, falando em Crepúsculo, o próximo post é sobre "16 Luas" que me surpreendeu de forma boa!!!

 CHARLIE HUNNAM

domingo, 4 de agosto de 2013

Esterilidade Transitória


Conhecimento é poder. Definitivamente, em diversos aspectos. Conhecimento permite ao indivíduo conseguir um emprego bom e assim, ter condições (financeiras, sim!) de viver melhor. Dinheiro faz diferença. Passeios à vontade, cultura, comida boa, plano de saúde... Conhecimento ainda permite controlar problemas emocionais, saber lidar melhor com o próprio cérebro e corpo... Mas, além do indivíduo, o conhecimento permite a cura de doenças, a criação de tecnologia para locomoção, abrigo, conforto, enfim, as facilidades da vida moderna. Infelizmente, o conhecimento é limitado no tempo.

Na prática, o poder do conhecimento permite uma vida melhor para quem o tem, entretanto, às vezes me pego filosofando: “Será que sou mais feliz do que o homem médio, sem plano de saúde, com um monte de filhos pra criar (como são férteis!) e sem a mínima ideia do que seja multiversos??” 

A felicidade é subjetiva e bastante individual, eu sei... E é verdade que a pessoa geralmente não sente falta do que nunca teve... então, as minhas facilidades podem não ser um aspecto importante para muitos e o fato de que conheço a teoria das cordas não faz a mínima diferença... Conhecimento é poder sim, mas só se continuar expandindo... existe um ponto de inutilidade, cujas informações servirão apenas para conexões futuras e essa fase estéril de simples reunião de informações pode ser frustrante...

domingo, 7 de julho de 2013

Sobre a menoridade penal

Escrevi esse artigo há alguns anos, mas continua atual.

Observação:  onde lê-se "FEBEM", hoje deve-se ler "fundação casa".


A população comovida vai às ruas, pedindo a diminuição da menoridade penal, representantes de grupos religiosos pedem a pena capital, ainda que sua posição ante ela fosse sempre absolutamente contrária. Nunca se viu tantos crimes praticados por adolescentes... ou será que nunca se noticiou tanto esses crimes? A força da “mídia” é conhecida por todos, mas raramente conseguimos perceber quando estamos sob a sua influência. É fácil criticar e apontar o lado nocivo da televisão, dos jornais, que possuem o poder de (de)formar opiniões, mas difícil é perceber quando nós, supostamente críticos, estamos sendo sugados por essa lavagem psicológica.
Pudemos presenciar nos últimos dias, como conseqüência do famigerado assassinato do casal de namorados, a aberração de certos juristas, pessoas teoricamente esclarecidas, defendendo a diminuição da menoridade penal, defendendo a punição de adolescentes infratores como maiores imputáveis. Há pouco tive o desprazer de saber que um advogado foi à televisão conceder uma entrevista para esclarecer a impossibilidade de aplicação da pena de morte no Brasil, pois sua proibição se encontra em cláusula pétrea da Constituição. O simples fato de juristas cogitarem a idéia de se estabelecer a pena de morte, induzidos pelo clamor social do assassinato tão explorado pelas TVs, já deveria causar um certo alarde naqueles que ainda mantém o seu juízo perfeito.
Indagações acerca da validade da pena de morte e da diminuição da menoridade penal sempre foram levantadas, mas nunca se chegou à sua aceitação, justamente porque ponderações foram feitas, o problema já cansou de ser discutido e nada, até o momento, levou à conclusão de que tais mudanças trariam reais benefícios à sociedade.
Não é um acontecimento, embora trágico, mas propositadamente super explorado, que deve nos levar a concluir por uma solução desse tipo. Os juristas, em especial, não podem se permitir tamanha indução, a ponto de corroborarem com as apelações insensatas da população que, evidentemente, se encontra absorta demais em lágrimas para raciocinar com a lógica necessária.
As mudanças legislativas devem ser feitas usando-se da razão e não da emoção, embora a emoção seja o seu impulso primeiro.
A solução para a “impunidade” dos adolescentes que cometem crimes bárbaros, diversos homicídios e ainda assim, saem livres quando completam 21 anos está escancarada à toda evidência, mas os juristas, como a população em geral, estão cegos e inclinados à solução mais banal e inútil que se encontra: a diminuição da idade penal.
A injustiça existe sim, um adolescente que comete diversos crimes (hipocritamente chamados atos infracionais, pois adolescente não comete crime na nossa legislação) não podem permanecer internados na FEBEM por

mais de 3 anos e, ainda que peguem os 3 anos permitidos, se forem recolhidos aos 20 anos, por exemplo, só ficarão 1 ano internados, pois com 21 anos, também não podem mais permanecer no local. A proteção concedida ao adolescente infrator chega a ser repulsiva em casos como do assassino do casal de namorados. Chega a ser enojante quando se escuta de um desses assassinos a frase “eu sou ‘de’ menor, posso te matar que não acontece nada”, e mais revoltante ainda é perceber que eles têm razão, não acontece nada, o máximo que pode acontecer é ficarem 3 anos recolhidos em alguma unidade da FEBEM e ao completarem 21 anos, voltarem às ruas.
Infelizmente a injustiça existe sim e é patente, mas a razão não pode ser dominada pela emoção e, acima de tudo, não pode ceder à solução mais rápida e fácil para o problema, amenizando a revolta momentânea, mas não repercutindo em nada para uma melhora do quadro social encontrado.
Mudar o código penal, diminuindo a idade em que um adolescente pode ser condenado à prisão, como um adulto, não é difícil... mas também não resolve o problema. Mandar um adolescente para a FEBEM é medida de último caso, como a própria lei determina, justamente porque todos sabemos as más influências a que está sujeito lá dentro; mandar um adolescente para a cadeia é colaborar com o aumento dessa influência negativa que fatalmente lhe atingirá. Se a FEBEM já constitui escola do crime para alguns adolescentes, a cadeia será a graduação. Diminuir a idade com que o adolescente pode ser preso é aumentar as chances de criarmos adultos especializados no crime.
A solução não é tratar o adolescente como adulto, mas considerarmos a sua condição de pessoa em desenvolvimento, sem, contudo, amenizar a punição por seus atos, como se vem fazendo, através do Estatuto da Criança e do Adolescente. O ECA é o foco em que deveriam ser centralizadas as mudanças e não o código penal. O adolescente que comete ato infracional deveria ser condenado a quantos anos fossem necessários para sua recuperação e punição (objetivos da pena), o limite de 3 anos deveria ser abolido, pois aí sim reside a maior injustiça da legislação brasileira e a verdadeira impunidade. O infrator brutal, frio, calculista deve ser punido com o braço forte da justiça, mas sem deixar de ser tratado como menor. A evidente solução seria mantê-lo internado na FEBEM até que complete 21 anos de idade, sendo transferido, então, para uma cadeia pública, onde possa terminar de cumprir a pena imposta. Desse modo, sua condição de pessoa em desenvolvimento não seria ignorada, pois receberia o tratamento “especial” enquanto menor, com o Estado zelando pelo seu aperfeiçoamento intelectual, fornecendo trabalho nas unidades, cursos profissionalizantes, tudo exatamente como manda a lei (digo isto com pesar, pois todos sabemos como a realidade se distancia da ficção legislativa) e, após atingir a idade adulta, seria tratado como tal, sendo transferido para a prisão.
Agindo dessa forma, estaríamos mantendo os princípios consagrados na nossa legislação, do respeito à condição especial do adolescente, mas deixando de beneficiar criaturas como o assassino de que tanto se tem falado, permitindo que esse indivíduo permaneça internado por ínfimos 3 anos, saindo substancialmente impune pelos atos conscientemente praticados.
O pensamento lógico e racional é o grande diferencial do ser humano, em relação às demais criaturas viventes... está na hora de pararmos de agir como animais,  pregando a vingança cega e aplicarmos nosso maior atributo, direcionando nossos esforços para a solução real, do problema tão sério que nos foi colocado.

E que a justiça seja feita!

segunda-feira, 1 de julho de 2013

RAPIDINHA

Olá queridos!!

Para quem interessar, segue abaixo minha entrevista "rapidinha" pra rádio Roquette Pinto do Rio de Janeiro sobre meu novo livro "COMO VENCER O TRANSTORNO DO PÂNICO"

ENTREVISTA Como Vencer o Transtorno do Pânico

Lembrando que eu estava gripadinha, então minha voz está um pouco pior do que o normal...rs